quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Luzes no Abismo



Tudo que é óbvio enruga minha pele
Irrita minha índole
As várias variáveis do mesmo
Contaminam-me as veias
Causam febre e tremores.

Eu vi sedas e granadas nas estradas
Arranquei os cravos do não-pecador
Quebrei os vitrais da grande queda
E com os cacos rasguei meus pulsos.

Quis eu a morte digna
A vida intensificada.
Disse-me meu coração:
Encerra os livros
Esqueça as escrituras
E ponha-se no caminho!
Foi lá que aprendi a sangrar e gozar
Com insuperável intensidade.
Singrei tantos mares selvagens
Tantos continentes imaginários
Que me tornei borboleta
Morcego e fera.

Com mandíbulas de prata
Corroí as vertigens da lei
Com o fogo da língua
Submeti as serpentes encantadas.
Os néons não mais me seduzem:
São apenas gases nobres em tubos pré-fabricados
por mão-de-obra miserável!

Tudo que é vazio me atrai:
É terreno livre
Planície deserta
que espera ser preenchida.
E eu tenho sementes, minhas mesmas,
germinadas com chuvas interiores!

Sei amar minha solidão
Não temer meus ossos expostos,
Aprendi a costurar meu próprio joelho
Quando me arrebento nestes abismos de ecos profundos...

Cernov

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010


A Lua pergunta à Cidade:

- Quantos de seus homens me notam?

A Cidade responde à Lua:

- Só os fabricantes de Neons...


Cernov
Inferno Paraiso
A Flor a Dor
Tudo está aqui
Nesse mesmo quarto de conceitos.

Cernov
Aqui
Nas ruínas dos poços de petróleo
Sopra um vento árido de passado
Que nem as folhas secas procuram

Cer9
Os corvos cansados
Meditam à sombra da lua
Sonham com os brilhos
Que os eclipses engolem

Cer9
Abutres em ritual
Giram ao redor do sol
Hesitam em devorar a carniça dos homens
Que cheira a lixo industrial

Cernov

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

ALICE


Arte: Mark Ryden

Não trago as flores nuas
Qe vestem minha ausência
Nem beijo os soldados feridos
Qe convalescem nos cantos da historia
Matei o príncipe imbecil
Qe seduziu minha infância.

Eu, eleita musa entre os poetas?
Não acreditem nisso!
Sou aqela qe cria
Porqe aprendi a destruir;
Sou irmã de Lúcifer; logo: a rebelde!
Aqela qe nega á costela
Porqe confia em seus próprios seios!

A doçura de minhas flores é efêmera
Minha primavera é hostil
Dos frutos de meu útero
Sangram sementes canibais
Com um olhar posso decepar
A cabeça de um pênis
Pois é sem a métrica
Qe julgo os valores...

Cernov