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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Teoremas de Apoemas








Iluminura de William Blake







a= apolíneo
d= dionisiaco
Se d≥a= caos, d≤a= cosmos
Σ d²-a(√7-½d).(1+a¹º) = ∞ ...
Se o vinho me ilumina
Só a matemática me traduz
Então transmuto entre todos os valores
e em suas dízimas paralelas

d²-3d+a=0
Abro todas as portas
Cavoco brechas nos muros
Vislumbro os delírios e os edifícios
E todas as dimensões me devoram
Fazem meu corpo desejar
(feito volúpia de elétrons
loucos pra copular)

{a-(3+d).(a³+d²-1º)}
Não desvendo essas incógnitas
São só fractais de universos
Mitos de passagem
(Não qero dominar nenhum caminho)
Só qero ... transitar!
de medo e êxtase, gritar
sentir dor, depois esqecer, adormecer
sentir calor, depois despertar, compreender...
até aprender a amar todos os meus fragmentos!

As teorias explicam, mas não compreendem
Se não consigo levitar
É porqe posso dissolver a matéria no qal me deito
Se crio algo é para ser superado
Pois a obra nunca termina
... ∞

Cer9

segunda-feira, 5 de março de 2012

Adeus Passárgada



Vou-me embora de Passagarda
Pois lá sou inimiga do rei
Recusei seu universo de prazeres e afazeres
Pra fazer voar minha mente

Vou-me embora dessas fronteiras calmas
Que alimenta minha permanência
Que cristaliza em uma todas as minhas almas

Quero caminhar onde não existe rei

Despeço-me dessas línguas mortas
Desses versos postos
Dessa cumplicidade com os cavaleiros da côrte

Quero correr mundos, outros ventos, ver ilhas piratas
Quero as quedas, os lobos das estradas, os enganos
Desejo as putas tristes, os cogumelos proibidos, os vinhos tintos

Não carrego bagagem, escrituras, teorias, nem pasta de dente
Só meu corpo de chuva, tempestade, vontade,
e um bom punhado de maldade;

Renunciei à herança, ao posto, ao paraíso proposto
Fiz de mim um demônio deposto
E foi com essas asas de sangue
Que sobrevoei um céu de mangue

Noutro dia desejei ser amiga do rei
Quis minha teimosia que eu fosse andarilha
Não comi da ave do paraíso
Mas aprendi a voar com os corvos.


Cernov

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

As Estrelas e as Luzes da Cidade





Luzes artificiais ofuscam a perspectiva da imensidão
As galáxias, inconcebíveis, lá em cima
Mas invisíveis aos homens aqui embaixo
Presos aos néons que eternizam a beleza das mercadorias.
Alienação de luz...

Toda poeira cósmica arrasta um bocado de nós,
Toda forma de poder contém nosso medo,
Toda célula reproduz a nossa vontade,
Todo quantun reconhece seu destino.

As luzes da cidade são nosso medo da escuridão
E as estrelas, nosso medo de revelação.
Somos carne e feixes de luz,
Queremos céu, queremos chão
Temos asas, temos tesão
Aos anjos oferecemos nossa alegria,
Aos demônios, nossa orgia
E para a terra deixamos nossas sementes:
luzes, neons, sombras, ilusões, projeções...
e outros rascunhos pixados nos muros.

Que importa as galáxias lá em cima?
Aqui, no centro da cidade, amamos sem pudor...!

Cernov

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Crianças Piratas







Era uma vez um quintal clandestino:
Camuflado de olhos angulares
Cercado de dentes e mentes armadas
E resguardado por navalhas de carne.
Ali, os sobreviventes da hecatombe da lei,
Reinventavam cercas muros e viadutos paralelos

Nesse quintal não havia culpa, mas também não havia perdão!
Só crianças que precisavam crescer
Roubar, matar e consumir narcóticos.
Todo sonho era distante, toda imaginação era maculada
E se configurava conforme eram as fatalidades da terra.
Então o universo lhes permitiam habitarem as esquinas
Terem seus corpos subnutridos e deformados pela história...

Compartilhavam dos restos, vendiam os sexos
Riam dos bêbados nus e do tempo que nunca passava
Das manchas que brotavam nos pequenos seios.
A treva se prismava de seus olhos piratas
E as mãozinhas empunhavam estiletes de prata:
Reflexos de bichos em estado de sobrevivência...

Nenhum poder havia deixado de ser experimentado
Todo jogo havia sido blefado
As crianças mergulhavam nas pedras de cracks
Desalinhavam a mente pra reinventar paraisos
Depois acordavam famintas
E deliravam brinquedos no asfalto quente...

Nenhuma ascenção e queda os impediam
Ignoravam moral etica
as filosofias
as ciências direito esquerdo
religião e educação
Sequer acordavam antes das dez!
Bastardos descalços,
As crianças brincavam nos pântanos de wall street
Estendiam suas mãos magras á Apolo 11
Depois despencavam nuas dos céus de outdoors...!


Cernov

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

CRIANÇAS SELVAGENS

arte: Mark Ryden


Era uma vez um quintal muito engraçado:
Não haviam cercas nem mapas
Nem muros perfurados de balas
Ou aterros de lixo industrial.
Só olhos curiosos rabiscados pelas crianças teimosas
Gravuras transparentes que atraiam os anjos que cuidavam das flores...

Nesse quintal não havia nobreza nem miséria
Só crianças q não precisam crescer
estudar, trabalhar e inventar agrotóxicos.
Só a pureza cantava, a imaginação se transfigurava
e se configurava conforme eram os desejos da terra.
Então o universo lhes permitiam serem criadores
Percorrer campos de lírios com seus pézinhos sujos de chocolate...

Compartilhavam dos corpos, tocavam os sexos
Riam da naturalidade que do tempo emanava
Das coisas q se davam espontaneamente.
A luz se prismava de seus olhos selvagens
E as mãozinhas projetavam sombras nas paredes:
Reflexos de bichos ainda em estado de liberdade...

Nenhum poder havia ali ainda tocado
Nenhum jogo havia ainda sido inventado
As crianças saltavam sobre as pedras de açúcar
Desalinhavam os átomos para inventar guloseimas
Depois recombinavam os quantuns
E moldavam novos brinquedos...

Nenhuma ascenção e queda os assombravam
Ignoravam o destino dos reis
as doutrinas
as vergonhas
os mitos
Sequer cogitavam a supremacia dos desejos!
Primogênitos não catalogados,
As crianças brincavam nas praias de groselha
Erguiam e destruiam castelos de areia cósmica
Depois voavam nuas sob o céu de brigadeiro...

Cernov

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Luzes no Abismo



Tudo que é óbvio enruga minha pele
Irrita minha índole
As várias variáveis do mesmo
Contaminam-me as veias
Causam febre e tremores.

Eu vi sedas e granadas nas estradas
Arranquei os cravos do não-pecador
Quebrei os vitrais da grande queda
E com os cacos rasguei meus pulsos.

Quis eu a morte digna
A vida intensificada.
Disse-me meu coração:
Encerra os livros
Esqueça as escrituras
E ponha-se no caminho!
Foi lá que aprendi a sangrar e gozar
Com insuperável intensidade.
Singrei tantos mares selvagens
Tantos continentes imaginários
Que me tornei borboleta
Morcego e fera.

Com mandíbulas de prata
Corroí as vertigens da lei
Com o fogo da língua
Submeti as serpentes encantadas.
Os néons não mais me seduzem:
São apenas gases nobres em tubos pré-fabricados
por mão-de-obra miserável!

Tudo que é vazio me atrai:
É terreno livre
Planície deserta
que espera ser preenchida.
E eu tenho sementes, minhas mesmas,
germinadas com chuvas interiores!

Sei amar minha solidão
Não temer meus ossos expostos,
Aprendi a costurar meu próprio joelho
Quando me arrebento nestes abismos de ecos profundos...

Cernov

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

ALICE


Arte: Mark Ryden

Não trago as flores nuas
Qe vestem minha ausência
Nem beijo os soldados feridos
Qe convalescem nos cantos da historia
Matei o príncipe imbecil
Qe seduziu minha infância.

Eu, eleita musa entre os poetas?
Não acreditem nisso!
Sou aqela qe cria
Porqe aprendi a destruir;
Sou irmã de Lúcifer; logo: a rebelde!
Aqela qe nega á costela
Porqe confia em seus próprios seios!

A doçura de minhas flores é efêmera
Minha primavera é hostil
Dos frutos de meu útero
Sangram sementes canibais
Com um olhar posso decepar
A cabeça de um pênis
Pois é sem a métrica
Qe julgo os valores...

Cernov

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

MITOS DE PASSAGEM

Ilustração: William Blake

Tudo corre velozmente pela janela do carro,
Eu dirijo o veículo, acelero no tempo
Deslumbro as paisagens, os rompimentos das barragens
(Rio dos budas, xivas, cristos e maomés)
Percorro a trajetória dos deuses
Ando sobre os corpos dos homens
Piso na supremacia dos césares
E despedaço as estruturas dos átomos.

Tudo corre velozmente pela janela de meu quarto
Eu sigo as estrelas, trafego no vácuo
Desvendo as fórmulas, as matrizes do tempo
(Aceno para newtons, einsteins, platãos e marxs)
Percorro o mapa das almas
Caminho sobre as existências
Levito na vacuidade da matéria
E destroço as probabilidades dos qantuns.

Depois de tudo isso eu nada sei
Nada guardei...
(os historiadores é q se ocupem de meus processos!)
Pois só me lembro qe caminhei
Rompi
Aprendi
Criei
Nada recusei
Destrui
Nasci
Morri
De tudo experimentei
Cuspi
Amei
Errei
Depois de tudo, transfigurei!
(os deuses morreram, as teorias perderam-se...
Só um pó de liberdade ali se deitou
E a vontade de inocência era meu maior segredo!)

Nas janelas dos carros
E nos qadros absurdos de meus qartos
Novas paisagens modularam-se
Uma profusão de dna´s chocaram-se com as galáxias
Outros eus ali nasceram e morreram
Zilhões de horizontes plasmaram-se.
Embora tudo parecesse tão essencial,
Tudo qeresse ser tão meu,
Com nada fiqei...
Pois só qeria mesmo é estar de passagem!

Cernov

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

MUROS AZUIS

Arte: Irving Greines



Sabe esses seres tristes que passam por aqui?
Esses rostos gastos que cruzam por mim?
Eles são a multiplicidade que reside em mim...

Há muros entre nós,
Paredes azuis de um lado
Paredes nuas do outro lado
De um lado os tijolos são estéticos
Do outro, cacos que poderiam ser abrigos


Há, entre nós, olhos que não se vêem
Apenas se cruzam entre os muros transparentes
Dentes brancos que não sorriem
Dentes amarelos que pouco comem

Há muros dentro de nós,
Caminhamos rente a eles
Desejamos espreitar por suas brechas
Ver como amam e sofrem os de lá
Talvez compreender...


Mas há uma Vª Grande Guerra dentro de nós,
Granadas azuis de um lado,
Soldados subnutridos do outro,
Nossos olhos se espreitam, se vêem...
mas não se cruzam!


Cernov

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Os Mortos Que Não Enterramos



Certa madrugada de lua em eclipse,
Calendário incerto,
(Talvez fosse Júpiter que projetasse aquela sombra...)
Nasceram os deuses!
Nos deram mel, água, fogo, abrigo,
figo, roda e chave de fenda...!

Numa tarde de horizonte aberto,
Calendário mantido em segredo,
Vieram as possibilidade do poder.
Nasceram os demônios!
Nos deram vinho, jogo de dados, a razão, o sexo,
carne, música e nietzsche...!

Noutra manhã de sol em eclipse,
Já num calendário provável,
Chegou o alfabeto e a contabilidade dos rebanhos.
Nasceram banqueiros e historiadores!
Nos deram moeda, couro, chips, circo,
idioma, nação e o tempo...!

Agora, na ampla noite, nos resta apenas as pornografias...
Grotescos rascunhos dos que nasceram e morreram.
Nos resta apenas religião, matemática, marxismo,
lixo industrial, a moral e os ossos...
... daqueles mortos que nunca enterramos!

Cer9!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Desmundos




Eu criei os meus próprios deuses
Inventei meus próprios gênios
galileu, são sebastião, arquimedes, joana d´arc...
desconheço esses limites.
Não entendo mais a língua dos homens
Tampouco compreendo a língua dos anjos.
Inventei meu próprio dialeto
E virei a esquina da dialética.
Pari um monte de personagens esquizofrênicos
e dei de comer a cada um deles.

Nasci do sexo dos vagabundos,
Comi das flores nas estradas,
Nunca caminhei no tempo da história...
Sei que fui libertina,
que estuprei a geografia,
anarkisei a ortografia,
e que engravidei do irmão de Sofia.

Noutro dia, ganhei na loteria
Mas fiquei feliz por ter pedido o bilhete.
Pois o tempo que eu levaria para abrir uma conta bancária...
Eu vi o nascer do sol, fui pra praia com as crianças,
plantei umas árvores, almocei com amigos,
visitei meus irmãos, me masturbei, amei,
depois tomei banho de chuva, li todos os poemas pixados nos muros...
E no fim do dia,
...ainda tive noticias do irmão de Sofia!

Cátia Cernov

Sementes de Fractais

O universo gira e transpira,
Dessa energia germinam as formas.
As flores são criaturas desses padrões,
Geometrias que buscam equilíbrio no caos
Foram forjadas no vácuo,
Depois brotaram das espirais das galáxias.
E, feito uma chuva de fractais,
Caíram nos jardins do planeta...
Foi numa tarde de horizonte laranja
Um céu de pétalas púrpuras
Pólens violetas
Sementes de cristal
Gotas de chuva em dias de sol...

Aqui, vivem a aventura dos ventos
Fecundam os vãos do acaso
São mensageiras das intenções do universo.
E, como a Rosa de Jericó,
nascem e morrem num mesmo instante

“Que mente suprema comanda essa eternidade?
Que inteligência ironiza essa transitoriedade?”...
ficam os homens a pensar.

Mas as flores, livres da necessidade de verdade,
E por não possuírem qualquer concepção de tempo,
Desabrocham... indiferentes ao sentido que fazem.
Catia Cernov

Cidade Industrial

Houve um tempo,
quando os profetas ainda caminhavam por aqui
enquanto as corujas eram azuis
e shiva ainda dormia,
que a cidade era de luz.


Houveram outros tempos,
em que os gregos eram filosofos
quando os deuses eram pagões,
depois se tornaram historia
porque o imperador assim desejou,
e a cidade era de pedra.



Nesses tempos,
quando o profeta do capital teve seus primeiros delírios
enquanto as borboleta violetas são tóxicas
e os homens se tornaram mercadorias,
a cidade é de néon ...